Lendo Os Miseráveis #2 ♥

Os Miseráveis - Juliana Fiorese

A que se reduz toda essa história de Fantine? É a sociedade
comprando uma escrava. Para quem? Para a miséria.
Para a fome, o frio, a solidão, o abandono, a nudez.
Doloroso comércio! Uma alma por um pedaço de pão.
A miséria ofrece, a sociedade aceita“.
[Os Miseráveis, p.279]

Sabe quando você está bem de boa, satisfeita com a sua leitura e quase terminando um dos livros de Os Miseráveiscomo vimos aqui, cada parte da obra é dividida em diversos livros – e já pensando em parar um pouco de ler – porque, né? Já fazem duas horas que você não larga o calhamaço -, aí vem o último capítulo sempre com aquele final impressionante que não te deixa parar nem um pouquinho pra descansar?

Pois é. Tem acontecido muito disso por aqui… Aí a gente lê, né? Fazer o que.

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Hoje termina a segunda semana de Leitura Coletiva e eu estou aqui para compartilhar a minha experiência de leitura da página 174 à página 295, dando continuidade assim ao meu diário de leitura de Os Miseráveis.

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Como esses posts tratam de anotações e observações feitas ao longo da minha leitura, e como é um diário, fica muito difícil de não contar spoilers, gente. =~ Mas sempre tento não me aprofundar demais nos detalhes.

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♥ Da página 174 à página 295 ♥

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Eu estava super ansiosa por continuar a minha leitura assim que terminei de ler o livro segundo, querendo saber onde ia levar toda aquela loucura e confusão de sentimentos de Jean Valjean. Mas, no livro terceiro, fui apresentada a novos personagens !!

É perceptível que esses primeiros livros são bem introdutórios mesmo, mas já sei que irão ter uma ligação muito importante com o desenrolar da história – Victor Hugo é genial .

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Então, somos levados à Paris de 1817. Victor Hugo começa esse livro jogando na nossa frente muitos – muitos mesmo, são 16 páginas assim – acontecimentos específicos da época para, no final, introduzir-nos a apenas um acontecimento e nos apresentar aos próximos personagens.

Eu achei essa defesa de argumento genial !! Vê só:

Eis, confusamente, o que acontecia em 1817, coisas de que hoje já não nos lembramos. A história negligencia quase todas essas particularidades, e não poderia fazer de outro modo; a infinidade dos detalhes a sufocaria. Contudo, esses pormenores, erradamente chamados de pequenos – não existem pequenos fatos na história, como não existem pequenas folhas na vegetação – são úteis. As feições dos anos é que compõem a fisionomia dos séculos.
Justamente nesse ano de 1817, quatro rapazes de Paris pregaram uma “boa peça“.” [p. 189]

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Assim, vamos ficar sabendo o que acontece em um determinado dia de 1817, no qual quatro estudantes – Tholomyes, Listolier, Fameuil, Blachevelle – levam suas respectivas amantes – Fantine, Dahlia, Zéphine, Favourite – a um passeio pelas ruas e restaurantes de Paris, prometendo-lhes uma surpresa.

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Champs Élysées, por volta de 1800 e pouco (?). Fonte: Christian menuisier

Também vamos ficar conhecendo um pouco sobre a história da encantadora, bela, inocente, apaixonada e sonhadora Fantine, que nem ao certo chegou a conhecer seus próprios pais.

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Fantine. Fonte: The archetype of the fallen woman

Nós acompanhamos a diversão desses oito jovens ao longo de todo o dia e, já no final da tarde, chega o grande momento da surpresa que eles prometeram para as garotas.

Bom, os estudantes são de família rica e as garotas são operárias, costureiras… Já sabemos então como essa história termina, não é mesmo?

Nesse livro terceiro eu fiquei com os nervos à flor da pele com a atuação de Tholomyes !! Que rapaz babaca !! E a última frase é de apertar o coração.

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O livro quarto é bem rapidinho e vai nos contar a continuação do episódio anterior de Fantine que, depois de um tempo e ainda sem conseguir emprego, resolve sair de Paris com a filha – Cosette – em direção à sua cidade natal: Montreuil-sur-Mer.

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Fantine e a filha bebê em óleo de Margaret Bernadine Hall. Fonte: Wikipedia.

Em seu caminho, Fantine encontra com a família Thénardier e pede para que eles cuidem de Cosette enquanto ela vai à procura de emprego, prometendo-lhes pagar mensalmente uma pensão para cobrir todos os gastos e alegando que logo em breve virá buscar a pequenina.

E assim, parte Fantine em direção a Montreuil-sur-Mer, com o coração tranquilo acreditando ter deixado seu pequeno anjo nas mãos de pessoas de bem.

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O livro quinto, até o momento, foi o livro que eu mais gostei. Ele vai fazer uma ponte entre todos os livros passados, e vai fazer a ligação de todas as pontas que pareciam estar soltas, juntando, de certa forma, o destino dos personagens apresentados até então. E a maneira que Victor Hugo conseguiu fazer isso foi genial.

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Antes de continuar com a chegada de Fantine à Montreuil-sur-Mer, Victor Hugo nos introduz à cidade, para que entendamos melhor o cenário com o qual a personagem vai se deparar mais adiante.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: Hist Opale

A industria local consistia na imitação de miçangas inglesas e dos vidrilhos negros da Alemanha; porém, a produção era muito ruimtrazia muito mais prejuízo à cidade e às pessoas do que lucro.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Por volta de 1815antes da chegada de Fantine -, um misterioso e desconhecido andarilho chega à Montreuil-sur-Mer e consegue alterar um pequeno detalhe na matéria-prima da produção que vai resultar em economia, facilidade de produção, benefício para a fabricação e para o consumidor.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Dessa forma, a gente vê que a cidade – vamos chamar de vila a partir de agora, porque era um lugarzinho bem pequeno mesmo – se expandiu de maneira extraordinária.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: Hist Opale

Esse homem, que mudara consideravelmente Montreuil-sur-Mer, é então conhecido por Madeleine. Madeleine também era a personificação do bem, sempre disposto a ajudar os necessitados, oferecendo-lhes emprego e procurando resolver os problemas de cada um.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Madeleine guardava apenas uma pequena quantia para si, mas com todo o resto do dinheiro – que era muito – investia no crescimento da vila; aumentou a produção e a mão de obra da fábrica local, fez hospital, enfermaria, etc..

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

E é justamente nesse cenário que Fantine chega à Montreuil-sur-Mer. Logo consegue um emprego na fábrica, aluga um quarto e compra parceladamente móveis para seu conforto. E assim, consegue tranquilamente pagar mensalmente e sem atrasos a pensão de Cosette à família Thénardier.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Até aí estava tudo bem. Só que as mulheres da fábrica começam a desconfiar do passado de Fantine, quando percebem que ela fazia visitas  muito frequentes aos correios e enviava diversas correspondências.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Até que, certo dia, Madame Victurnien, uma mulher com seus 50 anos, chefe da ala feminina na fábrica e de alta confiança de Madeleine, mulher –ironicamente – extremamente religiosa, resolve investigar e descobre todo o passado de Fantine.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

E o que Madame Victurnien faz? Desemprega Fantine por conta própria, sem ao menos avisar a Madeleine !! Fantine acaba acreditando fielmente que sua expulsão tenha vindo direto do Sr. Madeleine, e passa a odiá-lo com todas as suas forças, alegando que todas as suas desgraças, a partir de então, eram exclusivamente culpa dele.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Nesse tempo, o Sr. Thénardier exige gradativamente o aumento da quantia que Fantine o pagava como pensão de Cosette. Inventava, cada vez mais, desculpas e mentiras do tipo “ela está sem roupa para esse inverno frio“, e usava o dinheiro para quitar suas dívidas e comprar roupas para suas filhas legítimas; “ela está doente, precisa de remédios caros“, mesmo que a saúde de Cosette estivesse sempre em ótimo estado; etc..

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Se eu fiquei com raiva de Tholomyes e de Madame Victurnien, nem somando esses dois sentimentos, eu conseguiria equipara-los ao ódio que eu sinto pelo Sr. Thénardier !!

Sabe a história de Cinderella? Pronto, fizeram mais ou menos isso com a pobre Cosette. E o que Fantine faz para pagar o que o Sr. Thénardier lhe pede é desumano, chega ao limite mesmo !! E ela acredita, de coração, que estão cuidando muito bem de sua filha. O que dá mais raiva ainda !! Fiquei chocada por constatar até que ponto chega a maldade humana.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Até que surge um episódio em que Fantine e Madeleine se encontram na delegacia onde, enquanto ela é acusada de um determinado desacato à sociedade pelo chefe da polícia Javert, ela também é defendida pelo Sr. Madeleine; e, sério gente, essa foi a parte mais emocionante !! No final foi impossível conter as lágrimas.

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Foto antiga de Montreuil-sur-Mer. Fonte: GeneaWiki

Sabe quando você vai guardando no coração injustiça atrás de injustiça, miséria atrás de miséria, desgraça atrás de desgraça, e quando aparece uma luzinha no fim do túnel e a única coisa que você consegue fazer é respirar? Daí não tem outra: emoção, na certa.

E essa emoção aumenta ainda mais quando passamos a sentir todo o remorso pelo sentimento equivocado que Fantine tinha por Madeleine.

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Uma das coisas que mais me chamou atenção no livro quinto foram os pormenores que Victor Hugo acrescentou à história de Madeleine.

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Até então, não sabemos ao certo quem é esse bom homem que apareceu na narrativa, mas, bem aos pouquinhos, o autor vai nos oferecendo pequenos detalhes e pistas que vão nos mostrando toda a verdade por trás desse benfeitor.

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Deixar o leitor conhecedor de uma verdade que nenhum personagem enxerga é uma ótima estratégia de escrita, e Victor Hugo fez isso muito bem. É, principalmente, por esse detalhe que, como falei anteriormente, esse livro quinto até agora foi o melhor para mim.

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Talvez eu fique até repetitiva, mas continuarei compartilhando o quanto eu estou amando a leitura desse livro incrível. Já tenho certeza que ele entrará para a lista de melhores leituras de 2016.

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E vocês? Em que parte estão e como estão em relação à história?
Alguém está sentindo-se empolgado para começar a ler o livro?
Gostaria muito de saber, me contem aqui nos comentários ♥ !!

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Espero que tenham gostado do segundo post do projeto Lendo Os Miseráveis. Até a próxima sexta, com mais diário de leitura.

Muito obrigada por acompanharem até aqui.

P.S.: desculpa pelo tamanho dos comentários em relação ao livro quinto,
é que eu realmente gostei demais dessa parte.
 Ainda mais que resolvi
colocar um monte de fotografias no
 meio; eu amo fotos antigas e elas
me fazem imergir
 ainda mais no contexto da história.

Com carinho , Juliana Fiorese.

Para ler todos os posts do projeto Lendo Os Miseráveis, clica aqui


10 comentários sobre “Lendo Os Miseráveis #2 ♥

    1. Chell !! Muuuito obrigada !! Feliz demais por saber que gostou, e mais feliz ainda por saber que o post, de alguma forma, te deixou com vontade de ler esse livro incrível !! Eu ainda não assisti o filme, mas farei isso assim que terminar a minha leitura. ❤ Beijos !! ❤

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  1. Cara, esse livro está acabando com você também? Terminei a leitura + diário hoje e meu coração está PESADÍSSIMO. Também achei o livro quinto o melhor até agora, mas o emocional ficou em farrapos depois de terminar de ler!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Marcela !! Esse livro já me destruiu completamente !! Principalmente nesse livro quinto !! =~ E o mais impressionante é que a gente sabe que existem pessoas, na vida real, que são bem semelhantes à família Thérnadier, né ?! O que deixa tudo mais pesado ainda. =~~~ Mas estou amando a leitura… Acho que esse será um dos melhores livros lidos no ano. ❤ Beijinhos !! ❤ E ótima leitura !! ❤

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  2. Eu acho que com certeza a primeira lágrima minha rolou quando na decadência da Fantine, ela têm de se despir de sua vaidade e vender os dois dentes da frente, ainda mais por receber no contexto que essa extração é feita as coxas e ela ainda fica machucada.
    E pior, vende para financiar uma mentira, o que é mais triste.
    Realmente, o quinto livro merece nosso respeito e admiração!

    Ju, se você tiver interesse e tempo principalmente segue meu blog pra você dar uma olhadinha!
    https://aaleatoria.wordpress.com/

    Obrigada!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Aiii, Ale !! A decadência de Fantine foi um tormento para mim também !! Eu quase não acreditei que isso estava acontecendo na história !! Eu só pensava “não, não, nããão !!”. Mas eu consegui segurar as lágrimas. A história de Fantine foi muito pesada !! E eu estou indignada com a família Thérnadier pelo que fizeram com Fantine e com Cosette !! Revoltada !!

      Eu vou dar uma olhadinha no seu blog sim !!

      Beijos !! ❤ ❤ ❤

      Curtido por 1 pessoa

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